sexta-feira, 19 de junho de 2015

A Domesticação dos Ratos

O rato é um animal de estimação comum, pertencente à ordem Rodentia e a família Muridae. Acredita-se que os ratos foram originados nas áreas agora conhecidas como sul da Rússia e norte da China. Existem mais de 130 espécies do gênero Rattus, embora os dois mais proeminentes são o rato preto (R. rattus), que foi bem conhecido na Europa em 1100 e o rato marrom (R. norvegicus) que se tornou de ocorrência comum na Europa até 1700. Tornaram-se integral da cadeia alimentar mundial e apresentam mutias características e comportamentos que os auxiliam a sobreviver em grandes números. Além disso, aprenderam a comer quase qualquer coisa que possam encontrar.

Na Era Medieval, os ratos eram concorrentes do homem e foram presos, mortos e vendidos por comida, especialmente em tempos de fome na Europa. Além disso, eles foram usados para competições, em 1667, foi descrito que ratos domesticados estavam em exposições em Paris para dançar em cima de fio, ou mostrando outras artes, servindo como fonte de renda para os pobres. No Japão, foi descrito em um livro que os ratos brancos (também conhecido como os ratos de laboratório), "Daikoku Nezumi", foram criados como animais de estimação no Japão tão cedo quanto 1654 e aparentemente vários mutantes foram mantidos, tal como ratos com a cabeça preta, os ratos pretos com mancha branca, ratos brancos de olhos pretos, assim como ratos do tipo anão.


Antigos escritos japoneses sobre ratos.


Na Idade Média, quando as rotas de comércio foram abertas pro Oriente, houve a propagação do rato preto. Mais tarde, seguida pelo rato marrom, chegando na Europa no início do século 18. Então nessa época, criar ratos como isca se tornou um esporte popular. É bem provavel que os ratos marrons entraram em cativeiro como albinos. Sabemos que eles eram usados em rinhas com cães terriers na França e Inglaterra em 1800 e logo em seguida nas Américas. Este esporte durou 70 anos ou mais, até que finalmente foi interrompido pela lei. Neste esporte, 100 a 200 ratos marrons selvagens eram presos e colocados de uma vez só em uma arena de luta. Um cão terrier treinado era colocado junto e um juiz ficava medindo o tempo até que o último rato ficasse morto. Para este esporte, muitos ratos marrons tinham que ser capturados e mantidos prontos pras competições. 

O rato foi apresentado à comunidade científica há mais de um século. A facilidade de reprodução contínua seguida por gestação curta (21 dias) contribuiu para a utilização generalizada desta espécie como mamíferos experimentais. Tal como os seus antepassados selvagens que disputavam a comida, eles competem agora com relação a seu impacto sobre a ciência, desempenhando um papel chave na investigação biomédica, especialmente detalhes sobre as sequências de genomas que estão disponíveis, permitindo comparações com outros genomas de mamíferos, em particular o homem, e anotações sobre as funções dos genes estudados. 


Instituto Wistar


O rato, nos laboratórios, tem sido muito utilizado em experimentos de fisiologia e fez contribuições significativas para várias áreas complexas da biologia dos mamíferos. Por exemplo, o rato é um modelo organismo altamente valioso para a análise de muitas áreas complexas da biomedicina, tais como doenças cardiovasculares, doenças metabólicas (ex: diabetes mellitus), doenças neurológicas e de comportamento (ex: áreas de função motora, audição, visão e aprendizagem, além de pesquisa da epilepsia), doenças auto-imunes (ex: artrite, encefalomielite auto-imune experimental, etc), câncer e doenças renais. A riqueza de informação e a multiplicidade de recombinantes disponíveis de diferentes características específicas tornam o rato de laboratório uma ferramenta indispensável para a investigação biomédica.

Historicamente, os ratos foram tratados como animais de estimação descartáveis, por causa do seu pequeno tamanho, baixo custo e relativa facilidade de aquisição; no entanto, nos últimos anos, tem havido uma mudança nesta tendência.Os ratos são bons animais de estimação para crianças, adultos solteiros e jovens casais, porque eles são fáceis de serem manuseados, podem ser treinados e não são agressivos, sendo que raramente mordem. Os ratos também são inteligentes e afetuosos, aumentando assim a sua desejabilidade como uma espécie de animal de estimação.


Em razão desses roedores serem noturnos e viverem no chão, a visão é seu sentido especial menos desenvolvido e os ratos, pelo menos, são conhecidos por serem cegos para cores. A audição dos roedores é razoavelmente desenvolvida e aparenta ser capazes de sentir vibrações do solo. 

O senso olfativo dos roedores é muito bem desenvolvido. Indivíduos inicialmente investigam alterações em seu ambiente com o seu olfato. Esses roedores frequentemente levantam suas cabeças para o ar e farejam para identificar a fonte dos odores. Se um odor é desconhecido, inflam suas narinas e cheira mais rápido, enquanto movem-se ao redor da gaiola para determinar melhor a fonte do odor. Se reconhecerem uma ameaça, podem tentar se esconder ou escapar. Quando esses roedores são contidos manualmente, constantemente cheiram o ambiente e quem os segura ao se sentirem incomodados lutarão para fugir. Por essa razão, é importante que os veterinários e assistentes lembrem-se de lavar as mãos, trocar de luvas e vestir jalecos ou aventais limpos quando trabalharem com roedores. Isso é especialmente importante para um hospital veterinário, em que a equipe pode manejar espécies predadoras como cães e gatos antes de manejar o roedor. 


Os ratos produzem uma vocalização similar a dos camundongos e frequentemente produzem ruídos semelhantes a cacarejos na parte dorsal de suas gargantas, com ou sem outros sons audíveis e ocasionalmente também enquanto rangem os dentes. Se os animais estiverem famintos ou procurando ativamente por comida, esses sons podem continuar intermitentemente até que comecem a comer. Com frequência, ouvem-se ratas fêmeas fazendo ruídos semelhantes a cacarejos suaves enquanto carregam seus filhotes ou se limpam quietamente em suas gaiolas. Se o rato fica agitado ou assustado, sua vocalização se torna mais alta e soa mais como grito ou outros sons agudos. Geralmente, se um rato com dor é deixado sozinho, permanece quieto. Se for manejado ou levantado pela base da cauda, entretanto, as vocalizações se tornam um tanto altas e o animal também irá lutar para escapar e poderá morder.


Fontes: O'Malley; Suckow; Bays et al.

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